Eu Aprendi Amar - CAPÍTULO 2


Essa cidade tem festa todo dia e cá estou em, em mais uma, e as coisas já estão começando a girar. Vejo meus amigos dançarem e os acompanho com meu copo de vodka na mão. Tropeço no meu próprio pé e fecho meus olhos ao sentir meu corpo se direcionar ao chão. Não caio porque alguém me segura, quando abro os olhos e percebo quem solto um grito, Diogo. Ele me solta de susto e eu vou ao chão, desesperado com a situação tenta e ajudar e eu o empurro para longe, posso muito bem levantar sozinha e é o que faço. Saio da festa, caminho para meu apartamento querendo chegar logo até ouvir passos na calçada atrás de mim, me viro e dou de cara com Diogo.
— Te conheço há duas semanas e já te salvei da bebedeira umas 7 vezes. — diz ele, com suavidade na voz.
— O que eu deveria fazer? Quer que eu agradeça?
— Não que eu queira, mas você deveria.
— Por quê? Nunca te pedi pra me ajudar, se me deixasse caída na rua eu estaria mais agradecida. Não quero ser sua amiga.
Ele abre a boca para responder, mas não faz isso, no lugar, sorri. Odeio quando ele faz isso porque odeio pensar que ele fica lindo sorrindo. Resolvo continuar andando, mas ele vem atrás de mim.
— Dá pra você parar de me seguir? Já disse que não preciso da sua ajuda — falo sem parar de andar.
— Não estou te seguindo, moramos no mesmo edifício. 
Sinto vontade de gritar, mas não consigo porque o chão e todas as coisas começam a ficar borradas e eu não vejo mais nada, mais uma vez.



Acordo ainda meio zonza e estou em um local que já reconheço muito bem, a casa do Diogo. Levanto-me correndo da cama e caio bem quando ele aparece. Tento dizer que esta tudo bem, mas ele insiste em me ajudar. Quando estou de pé tento caminhar, porém caio novamente, dessa vez em cima do Diogo. Não consigo processar muito bem o que está acontecendo, o efeito do álcool ainda não passou e está bem longe de passar, a única coisa que consigo perceber é uma boca se aproximando da minha e um beijo se iniciar. Não recuso, apenas o continuo sem saber bem que está me dando-o. 
Esses beijos continuaram por semanas, e na minha cabeça aquilo nunca acontecia de verdade, eu estava bêbada, poderia ser só uma alucinação. Eu não queria que aquilo estivesse acontecendo, eu não gostava do Diogo e agora menos ainda. Pedia para ele não contar a ninguém, já que aquilo não acontecia para mim. Até que um dia tudo mudou, eu acordei nua na cama dele, com ele olhando para mim e eu não me lembrava de nada.
—O que está acontecendo aqui? — Pulo da cama, vestindo minha roupa apressada. — Você abusou de mim!
— De jeito nenhum! — ele responde com uma expressão de espanto. —Você começou a tirar a roupa e ficou me agarrando. Perguntei varias vezes se você tinha certeza e você confirmava, até tentei te parar, mas não adiantou.
— Mentiroso! Eu devo ter apagado e você tirou minha roupa pra armar essa cena. — falo quase gritando. — Não saia contando essa mentira por aí, a gente não fez nada e nunca nos beijamos, entendeu?
Saio do quarto enquanto ele fala algo sobre eu estar blefando. Blefando? Eu? Quem está blefando é ele. Até parece que ficaria com alguém como ele, poderia estar o mais bêbada que fosse, mas eu jamais faria isso. E o pior, eu não me lembro de nada, nem pude me defender... Exagerei na bebida dessa vez, mas bebida alguma me faria ter alguma coisa com aquele cara.
Entro no meu apartamento e confiro a hora. É bem cedo, ainda tenho tempo de me arrumar para a aula. Vou direto ao banheiro tomar uma chuveirada e ficar pronta para encarar mais um dia. 
Depois de estar pronta, pego minha mochila, tranco meu apartamento e resolvo descer pela escada até a garagem para não ter perigo de encontrar com Diogo, mas é bem quando chego à garagem que ele me vê e vem em minha direção. Acelero o passo até meu carro, entro nele e começo a sair da garagem o mais rápido que consigo.
Solto um suspiro de alivio, ligo o som do meu carro e começo a cantar junto com a música tentando relaxar até que um pensamento assombra minha cabeça e eu me assusto tanto que quase bato o carro. Era uma lembrança bem vaga, talvez até uma alucinação, não era um pensamento que eu tinha certeza porque ele não estava nítido na minha cabeça, mas eu tinha certeza que havia “visto” eu tirando a minha blusa com o Diogo no quarto. Não, isso não é possível. Ele armou pra mim, estou com isso na cabeça e agora fico imaginando coisas... É melhor eu me afastar desse cara, mas o problema é que eu nem me aproximei. 




Ando pela universidade tentando matar tempo e pensando nas minhas lembranças e em tudo que se passou. Estava bem distraída quando vejo minha amiga Karen se aproximar de mim.
— Oi gatinha. Aconteceu alguma coisa? Parece meio abatida! — ela fala com um toque de preocupação na voz.
— Não amiga, está tudo bem. Só estava um pouco pensativa. — Ela sorri ao ouvir essas palavras, e pela sua expressão percebo que vai mudar o assunto.
— Ah, que bom então! Miga, conte-me sobre seu novo amigo gatinho. — Ela deve ter notado minha cara de que não está entendendo nada e abre levemente a boca para falar algo, mas eu a interrompo.
— Amigo? Gatinho? Não fiz amizades nos últimos tempos.
— Aquele que te ajudou na balada quando você caiu algumas semanas atrás. — Franzo a testa porque não estou entendo do que, ou de quem ela está falando. Reviro minhas memórias até que me lembro. Diogo, por que tudo sempre volta a ele?
No mesmo instante começo a rir alto, Karen faz uma cara assustada e me pede para “abaixar o volume”.
— Olha, Karen, aquele rapaz não é nada meu, ok? Na verdade é só um incomodo. — A expressão dela é de terror após o que digo, e seu olhar está perdido em um ponto atrás de mim. Por isso me viro para ir embora, mas bato em algo, ou melhor, em alguém. 
— Um incomodo? Você não me parecia incomodada em todos aqueles beijos por todas essas semanas. E não venha me dizer que você não se lembra nem dos beijos porque você não estava tão bêbada assim.
— Eu estava sim! — grito, e as pessoas que estão em volta olham para nós.
Em nenhum daqueles beijos eu sabia exatamente o que estava fazendo porque a bebida realmente alterava a minha noção de realidade, eu nem sabia se gostava, mas como poderia gostar se eu só queria distância dele?
— Beijos? — Karen interrompe nossa discussão.
— Sim, mas pelo jeito sua amiga não se lembra de nada. — ele retruca
— É claro, eu estava bêbada! —falo um pouco mais alto do que deveria, mas não grito dessa vez. Mesmo assim, várias cabeças se voltam em nossa direção.
— Olha, como é seu nome mesmo? — fala a Karen. Não acredito que ela está falando com ele.
— Diogo. — ele responde, simplesmente.
— Então, Diogo, a Mih tem vários problemas com a bebida e ela realmente afeta a menina... Sempre temos que contar a ela o que ela fez, inclusive, caras que beijou. — Sério que ela disse isso?
— Então ela fica com qualquer um? — ele pergunta sério.
— Não, claro que não! Também não é assim... ela também não ficou com ninguém nessas ultimas semanas. — Ele abre um sorriso ao ouvir essa parte final.
— Dá para vocês pararem de falar de mim como se eu não estivesse aqui? — interrompo, tentando evitar olhar aquele sorriso.
— Claro que dá! Inclusive, não vou mais falar de você nem com você. — ele fala e sai caminhando.
— Ainda bem! — falo, olhando para Karen.
— Há quanto tempo vocês ficam?
— Primeiro, a gente NÃO fica porque eu estou bêbada então não conta... Mas respondendo sua pergunta, acho que faz quase dois meses, não sei bem. — respondo, fazendo as contas na minha cabeça. Beijamo-nos pela primeira vez e depois disso, beijos vieram acontecendo. Não me lembro nitidamente de todos, nem se eu gostei ou não gostei, não me lembro de detalhes nem da quantidade, mas lembro perfeitamente que semanas se passaram e daqui alguns dias já iria fazer dois meses. Mas acabou, ainda bem que tudo isso acabou.
— Bastante tempo pra quem não gosta dele, né? — Ela nota minha expressão, e tenta se explicar — Olha, Mih, eu acredito que você não se lembra bem porque já fui testemunha disso em várias ocasiões, mas se você realmente não quer por que não parou ainda?
— Eu tentei, mas ele sempre aparece, sempre me ajuda, e sempre me beija! — falo com voz de suplica para ela me entender. Ela parece perceber isso
— Miga, eu acredito em você, que você não quer e blá blá blá, mas também não precisa jogar a culpa no garoto! Ele não está abusando de você como você tenta fazer parecer.
— Tudo bem Karen, mas agora acabou, não viu?
— Sei... — ela responde simplesmente.
Estou cansada desse assunto, por que é tão difícil acreditar em mim? Por que eu mesma não consigo acreditar em mim? Trocamos de assunto enquanto caminhamos em direção a nossa sala, e me sinto um pouco feliz por saber que não tenho nenhuma matéria com o Diogo.











28 comentários:

  1. Gostei da sua escrita e de como desenvolveu, fiquei curiosa como você se sairia em outros gêneros :D

    Um beijo, Carol
    Blog com V.

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    1. Vou escrever um livro e vai ser uma espécie de fantasia

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  2. Oi.
    Esperando a continuação.
    Gostando bastante da história.
    Beijos.

    Fantástica Ficção

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  3. Muito bom ver a história se desenvolvendo, já estou esperando os próximos capítulos !

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  4. Olá!Você tem uma escrita muito boa e envolvente! Adorei! Aguardando continuaçao
    Beijos, Yasmim.

    Blog: http://literarte.blog.br
    Insta: http://instagram.com/blogliterarte

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  5. Oii, adorei o trecho, sua escrita é super envolvente, e quero ver a continuação
    Beijos!

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  6. Olá tudo bem?
    Fiquei curiosa com essa história. Você tem uma escrita tão leve e envolvente que nem percebi quando cheguei ao final. Aguardando ansiosamente a continuação.

    Beijinhos!
    Http://leiturize-se.blogspot.com.br/

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  7. A escrita é boa e a história promete. Acompanhando o desenrolar da trama! Avante!
    www.danuzaeoslivros.blogspot.com

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  8. Olá! Parabéns por sua história! Apesar de a imagem ter me incomodado um pouco o texto é bem escrito e de fácil leitura. Continue a história e até o próximo capítulo. ~Elis Blog Pretenses

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  9. Gostando muito da história, ansiosa pelo próximo capítulo, bjus.

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  10. Adorei o desenvolvimento da história e estou curiosa pela continuação.

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  11. Gosto do que você escreve, pois sempre deixa aquele gostinho que quero mais.
    Parabéns!

    Bjs
    Suka
    http://www.suka-p.blogspot.com.br

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  12. Adorando o desenrolar da história e curiosa pelo desenrolar dela. Beijos ❤❤❤

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  13. Oii. Cheguei agora e sim, comecei por esse capítulo, agora vou procurar o primeiro. Mas já estou gostando.

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