Suicidas - Raphael Montes | RESENHA

FICHA TÉCNICA:

TÍTULO: Suicidas 
AUTOR: Raphael Montes
ANO: 2017 (Nova edição) / PÁGINAS: 432
EDITORA: Companhia das Letras
ADICIONE NO: Skoob
CLASSIFICAÇÃO: ★★★★ + ♥


Essa resenha demorou pra sair, foi difícil pra mim. Sentar na frente de um computador e falar sobre um livro e a experiencia da leitura é uma das coisas mais maravilhosas, mas é tão complicado quando você só tem vontade de sair aplaudindo o livro, enaltecendo, porém as palavras não veem, só ficam girando na sua mente.


Nove jovens decidem se suicidar em uma roleta-russa. Não jovens depressivos ou com uma vida ruim, mas jovens que, na visão das pessoas, tinham uma vida boa. Não perfeita, porque muitos tinham seus problemas, mas nenhum era "motivo" para um suicídio.
Roleta-russa é um jogo onde coloca-se apenas uma bala no tambor do revolver, gira-se o mesmo e fecha. Cada pessoa coloca a arma na cabeça e atira. Enquanto a bala não sai, a arma vai passando adiante até alguém morrer. Nesse caso, quando alguém era baleado, colocava-se outra bala na arma e refaziam o processo. O último poderia escolher viver ou morrer, mas caso escolhesse viver, teria graves problemas com a policia.

Acompanhamos esse suicídio coletivo de três "pontos de vista". Através de anotações do Alexandre, um dos suicidas, encontrado no quarto do mesmo, sobre coisas que aconteceram antes do jogo e assim conseguimos entender alguns dos motivos que levaram os jovens a desejar a morte.
Temos também uma reunião informal, registrada através de uma gravação de áudio, da delegada e das mães do jovens mortos, que acontece um ano depois do suicídio coletivo, para tentar compreender o que aconteceu durante a roleta-russa e o porque aconteceu. Nessa reunião, a delegada lê um livro escrito pelo Alexandre durante a roleta-russa.
E claro, podemos conhecer bem os acontecimentos do jogo através do livro escrito no momento em que o suicídio coletivo estava ocorrendo. 

A premissa é bem chamativa, mas a história vai além disso. A roleta-russa não é simplesmente um jogo ou um suicídio coletivo porque durante ele podemos acompanhar não apenas jovens se suicidando (o que é obvio), mas também muita manipulação, intrigas, brigas, necrofilia, tortura, homofobia, gordofobia e assassinato.
É aí que entra um ponto importante para mim, que eu não poderia deixar de comentar: todo o preconceito que há nesse livro.

Pelo fato de termos os relatos do Alexandre e o livro ser escrito pelo mesmo, o pensamento dele é o que mais se destaca e aqui conseguimos enxergar o quanto esse cara tem um sério problema com gordos e gays. Um problema chamado preconceito.
Esse tipo de coisa é comum em livros? Sim, principalmente em livros do gênero, já que encontramos muito disso em livros do King, por exemplo.
É um problema? Para mim, não tanto. Sempre abominei qualquer tipo de preconceito vindo das pessoas, mas tenho que admitir que na literatura isso ocorre sim, e não é porque tem gente que se sente desconfortável que os escritores vão deixar de colocar personagens com essas personalidades.
Eu compreendo que muitas vezes não é a opinião pessoal do autor, ele apenas colocou em sua obra para chocar, ou algum motivo desconhecido. (Eu realmente espero que o Raphael Montes não pense como o Alexandre).
Esse tipo de coisa não é totalmente necessário em um livro, mas não posso negar que isso esta presente na nossa sociedade (infelizmente), e colocar essa triste realidade em que vivemos na história, deixa ela mais realista.
Não, não. Não estou apoiando esse tipo de atitude, mas autores colocam nas histórias e eu entendo o motivo. É claro que me incomoda, sim. Mas não acho que isso estrague o livro. Se a história for boa, não é por isso que vai fazer ser ruim.

Voltando a resenha, não irei falar dos participantes da roleta-russa, além do Alexandre e do Zak, melhores amigos e criadores dessa "ideia". Os personagens vão sendo colocados aos poucos na história, e aos poucos descobrimos quem são os participantes e como Zak e Alexandre conhecem os mesmo.
Foi bom para mim ir descobrindo aos poucos quem eram os suicidas e seus motivos, e não quero estragar a experiencia de ninguém, e sim que vocês tenham a mesma curiosidade que eu.
Por essa maneira dos personagens serem apresentados, e pelos vários tipos de relatamento dos fatos, faz com que conhecemos melhor cada personagem, seus pensamentos, seus motivos. A construção de cada um é feita aos poucos, você nem percebe, e quando se da conta conhece cada um dos participantes da roleta-russa (eles são o foco principal da história). 
Gostei muito da maneira que o autor usou para apresentar e criar os jovens suicidas, com certeza Raphael Montes sabe como fazer um personagem bem construído. 

O livro é genial. Cada parte dele. O jeito que o autor escolheu para contar a história, o livro do Alexandre, os motivos de cada um, os acontecimentos anteriores ao suicídio coletivo, a gravação da reunião das mães com a delegada.
Temos o final do livro do Alexandre que nos leva a pensar que a roleta-russa terminou de uma maneira, e no final do livro Raphael Montes nos mostra uma manipulação total. Os acontecimentos finais da reunião das mães também foi muito bem pensado, eu nunca imaginaria que o que aconteceu poderia acontecer. Poderia ter criado tantos finais e jamais ter pensado no final que ele deu para aquela discussão.
A roleta-russa foi o que eu mais gostei, principalmente de como ela ocorreu, porque saiu daquela coisa monótona de cada um dando um tiro na própria cabeça. O final do jogo também, que como comentei, as coisas não ocorrem do jeito que pensamos. 
Aí você me pergunta: então o livro do Alexandre é falso? Não, de forma alguma. O que está escrito lá realmente aconteceu, se não eu teria me sentido enganada e não surpreendida. Para entender o que é a tal manipulação do autor (e de alguns personagens) vai ser necessário ler o livro.

Não consigo decidir se gostei mais do desenvolvimento ou do final. O livro me prendeu como nenhum outro prendeu antes, e não há exageros aqui. Eu não costumo ler nos sábados, sempre acabo me distraindo com alguma coisa e não tendo vontade de ler, mas com essa história foi diferente. Eu fiquei tão imersa nela, que as pessoas chagavam perto de mim e eu me assustava por não conseguir prestar atenção em nada que havia ao meu redor, e olha que costumo me distrair até com uma mosca!

A última frase do livro é de uma extrema criatividade, que nunca vi algo tão criativo em um livro antes. Sim, uma frase, e ela nem é longa.
Sabe aquele livro que faz você sair com vontade de contar a história para as pessoas? Mas contar cada detalhe, que seu ouvinte vai ficar como se tivesse lido o livro ele mesmo? Essa história é assim, e eu não dei nenhum spoilers a vocês (o que foi uma tarefa difícil), porque eu quero que vocês leiam esse livro e sintam tudo que eu senti.
Quando tiver oportunidade de ler outros livros do autor não vou pensar duas vezes, porque se essa foi a primeira obra que ele escreveu, aos 19 anos, imagina como ele está hoje em dia.
Só não o considero meu autor favorito porque li apenas uma obra, mas o livro com certeza é um favoritado, o que parece tão pouco perto do que essa obra é e o que ela fez comigo.

Queria poder falar muito mais desse livro por aqui, porque sinto que foi tão pouco. Não sei se consegui passar o quanto essa história é boa, mas se eu escrever aqui mil vezes que esse livro é extraordinário, fabuloso, ou qualquer outro elogio que define o quanto algo é bom vocês acreditam em mim?

E só mais uma coisinha: Não é fã do gênero? Esse livro vai fazer você virar! Há  algumas coisas UM POUCO pesadas, mas dá pra aguentar bem tranquilamente.
Suspense, thriller, policial já são meus gêneros favoritos, mas garanto que até para quem não curte muito, vira fã depois dessa história. 




28 comentários:

  1. Oii Aline! Em primeiro lugar parabéns pela resenha, ficou super completa, achei bem legal. Do Raphael Montes por enquanto só li "O vilarejo", sabia da existência de "Suicidas" mas não tinha me interessado em pesquisar sobre ele ate agora, sua resenha me fez sentir vontade de lê-lo. Entendo seu comentário a respeito de temas pesados como preconceito nos livros, já cheguei a sentir muita raiva quando lia algo assim, mas hoje entendo que os autores escrevem isso pra nos tirar da zona de conforto e para que pensemos antes de ter atitudes assim. Bjs

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    1. Obrigada pelo elogio ♥ Pois é, depois de um tempo começamos entender o porquê de assuntos pesados. Beijos.

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  2. Oii, aaai eu quero muito ler esse livro, todo mundo fala bem de todos os livros desse autor, mas quero começar por esse que parece ser incrível, ainda mais por ser de um gênero que eu gosto.
    -Beijos,Carol!
    http://entrehistoriasblog.blogspot.com.br/

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  3. Oie!!

    Eu sou muito fã do gênero e do Raphael também, indico que leia os outros dele. O único que não favoritei foi Dias Perfeitos, mas os outros, me prenderam do início ao fim.
    Quanto a parte do preconceito acho que os autores colocam pra chocar mesmo, mostrar que, infelizmente, estas coisas estão por ai e não é incomum de acontecer, e assim, fazer com que o leitor reflita em suas atitudes.
    Excelente resenha!!

    bjs

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    1. Eu queria muito ler Dias perfeitos, uma pena você não ter gostado tanto. Obrigada ♥

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  4. Oii Ally. Eu gostei bastante da resenha e da premissa do livro. O que me empolga neste tipo de obra é justamente a capacidade do autor em criar enredos que envolvem drama e coisas um tanto polêmicas. Acho necessário esse tipo de narrativa. Com certeza está no hall de leituras obrigatórias. Beijos.
    Blog: Fantástica Ficção

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  5. Oie
    Li uma resenha certa vez que dizia praticamente a mesma coisa que você, quem não gosta do gênero vai se surpreender com esse. No meu caso, eu amo o gênero e quero me aventuras em narrativas novas, já que as que eu leio parecem ter nascido da cabeça da mesma pessoa de tão parecidas que são. Amei sua resenha, quero muito ler esse livro, achei bacana a questão do preconceito que existe no livro, infelizmente isso ainda existe muito.
    BJos, Bya! 💋

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    1. Verdade, há muitas narrativas iguais hehe espero que goste tanto quanto eu!

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  6. Ei! Tudo bem?

    QUE LOUCURA! Só tenho isso a dizer haha
    Sempre leio comentários positivos relacionados ao autor, ele vem conquistando cada vez mais o público, não é?!
    Nunca li nada dele, mas esse livro me fez levantar da cadeira e arregalar os olhos. Gostei muito da premissa, a obra parece genial e sua resenha me empolgou bastante. Gostei, inclusive, da questão do personagem ser preconceituoso, isso nos mostra um ponto de vista que pode ser completamente diferente da realidade, o que deixa tudo mais empolgante. Não concordo com esse tipo de preconceito, mas acho válido falarmos sobre isso em personagens principais, para chocar.

    Beijos!
    http://www.as365coresdouniverso.com.br/

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    1. HAHA O livro é uma loucura mesmo... é um ponto de vista bem diferente ver as coisas pelo lado do preconceituoso, apesar que nada justifica esse ódio gratuito. E a ideia de chocar, choca mesmo. Beijos

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  7. Olá.
    EU sou simplesmente apaixonada nesse livro e no autor. Recomendo também o livro Dias Perfeitos, que é genial, assim como Suicidas.
    O final desse livro é bem surpreendente, apesar de eu já ter uma ideia do que estava para acontecer.
    É muito bom ler livros nacionais com tamanha qualidade, temos que exaltar mesmo!
    Parabéns pela resenha.

    xoxo

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    1. Eu quero ler Dias perfeitos, espero gostar tanto quanto esse. Obrigada ♥

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  8. Oi Aline,
    ADOREEEI sua resenha, saiba que o amor que você teve pela obra está todo escrito aí, é nítido que foi um livro que te prendeu do início ao fim e que mexeu muito com suas emoções. Entendo essa sensação que você teve sobre querer sair contando para todos, quando gostamos muito de uma história a empolgação é maravilhosa e nem nos damos conta que ainda estamos imersos nela. Eu já li o livro O Vilarejo do autor, que apresenta várias histórias ilustradas e macabras, foi uma ótima experiência e me senti exatamente assim como você, pois é um livro genial!!! <3 Vou procurar ler esse também!

    Bjokas da Elo!
    http://cronicasdeeloise.blogspot.com.br/

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    1. Que bom que consegui expressar meu amor haha Que bom que gosta do autor, espero que goste desse livro também.

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  9. Eitaaaa
    Que eu to curiosa e já estou colocando na lista das próximas compras, nossa se sua resenha já foi intensa o que será eu livro meo deos!

    Resenha maravilhosa!

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  10. Oii, que resenha maravilhosa!! Sempre ouço elogios a escrita do autor e fico morrendo de vontade de ler, embora não faça meu estilo (como você disse acima pode acabar virando kk). Gosto quando um acontecimento fatal é esclarecido de maneiras diferentes, nos permitindo analisar os pontos de vista , sentir e aprender com a vítimas da situação.
    Sem dúvidas uma leitura que me pareceu completamente genial.
    Beijos

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    1. Obrigada Faby ♥ Uma pena você não ser fã do gênero, mas pode acabar virando, não é mesmo? Beijos...

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  11. Olá, não sabia que existia gordofobia.
    Menina quantos temas nesse livro hein??
    O título do livro já me chamou bastante atenção, com certeza é um livro que quero ler futuramente, bjus e bom domingo.

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  12. Oi, Ally! Raphael Montes está na minha lista de autores que quero conhecer já faz um bom tempo, e eu nunca sei por qual livro começar. Acho que você acaba de me dar uma ajudinha nessa questão. Menina, que resenha! Acho que você foi muito feliz tentanto transmitir o que sentiu lendo o livro, me senti ao seu lando ouvindo você falar sobre a história. Parabéns! E chocada que ele escreveu esse livro com apenas 19 anos :O necessito ler! Beijos.

    https://abducaoliteraria.wordpress.com

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    1. Essa é uma ótima escolha para começar a lê-lo ♥ Que bom que consegui transmitir tudo, beijos...

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  13. Olá!! a premissa do livro é super interessante e aborda um tema bem polêmico. É incrível como quando somos adolescentes e estamos em grupo somos capazes de fazer coisas inimagináveis de serem feitas, se estivéssemos sós. Sua resenha, fala mais que a penas da história e compartilhar isso é ainda mais maravilhoso, adorei sua resenha ela mostra bem porque o R. Montes se tornou um dos mais renomados autores do país. Elis Blog Pretenses

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  14. Amei essa capa ❤❤😍😍 e essa resenha MALAVILOSA ❤❤ Chega da gosto de ler ❤❤❤

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  15. Oi, Aline
    Vejo muitos comentários a respeito desse livro e do autor. Eu realmente nunca li nada dele, mas ganhei o livro na caixa do Clube Skoob e até hoje não li. Eu não tenho familiaridade com o gênero, o tema e também a grossura do livro é o que me faz não querer lê-lo. Porém percebo o talento do autor em tecer a história, e até queria dar uma chance, mas não sei se esse é o momento certo.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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